História

ASPECTOS HISTÓRICOS:

O povoamento do Itajá está intimamente ligado aos demais municípios do Rio Grande do Norte, principalmente, os que foram colonizados no alto Sertão e Centro-Norte deste Estado. Os fundadores de colonização foram lançados por volta de 1800 (ano considerado como data de sua fundação) quando surgiu um núcleo de povoação em torno de uma fazenda dedicada inteiramente á criação de gado. Antes, porém, de lançados os fundamentos de colonização no idos de 1800, alguns grupos da grande nação indígena janduís, já habitavam as terras que hoje fazem parte do município de Itajá. Seu precursor foi o alferes Guilherme Lopes viégas, a quem cabe a gloria de ter fundado o Itajá, por que ali já se encontrava em 1803, como propriedade das terras deixadas por herança do seu pai- o tenente Antônio Lopes Viégas, fundador de Angicos. Pernambucano de raízes portuguesa e espanhola, o alferes Guilherme Lopes Viégas, se estabeleceu no local dele chamado de Pernambuquinho, numa justa homenagem á sua terra Pernambuco. Como marca da passagem de Guilherme Lopes Viégas, em terras do saco, hoje Itajá, existe, além da localidade Pernambuquinho, o Igaraçu, que é um dos mais prósperos bairros de Itajá.Esta toponímia Igaraçu, é, igualmente uma ilusão a esta importante cidade pernambucana, de onde partiu a família Lopes Viégas, em busca de novas paragens propicias para agricultura e á pecuária.Seus assentamentos se fizeram notados, além do Itajá e angicos, também em Pedro Avelino ( que já se chamou Gaspar Lopes),bem como em Diogo Lopes,este,importante distrito do município de Macau. As terras do Saco,hoje Itajá, por equívoco e/ou, até mesmo, por má fé foram incorporadas indevidamente, em 1865,ao Patrimônio Eclesiástico do Rio Grande do Norte, por doação dos irmãos- o capitão Alexandre Lopes Viégas e Damásia Lopes Viégas, no que mereceu por parte do alferes Guilherme Lopes Viégas, forte contestação em virtude de dúvidas surgidas na escritura lavrada em Cartório. Insatisfeito com a falta de lisura dos irmãos Alexandre e Damásia, o alferes Guilherme Lopes Viégas, requereu denominação judicial, a fim de corrigir o equivoco ou talvez por má fé e, a todo custo,manter o seu direito de posse e herança respeitados.deixado por seu pai- Antônio Lopes Viégas, fundador de Angicos. Os trabalhos de denominação foram realizados em 15 e 16 de setembro de 1865, em razão de contestação por Guilherme Lopes Viégas, via judicial, tendo obtido um final feliz com suas terras excluídas do Patrimônio Eclesiástico do Rio Grande do Norte, e reintegrando-se na posse das mesmas. Por que o nome Viégas foi suprimido da família Lopes? Em pesquisas efetuadas com as raízes mais antigas do “Clã Lopes”, foi dito que nome familiar Lopes Viégas, soava de maneira pejorativa e desagradável aos ouvidos, dando origem á criatividade popular com a corruptela que deformava o pronuncia.E, assim, do Lopes Viégas, nasceu na boca do povo da ribeira do Vale do Açu. O “Lote de Éguas”, que faria o nome supostamente estranho ao mundo do vale , cair no esquecimento dos livros cartoriais. Primitivamente, a povoação denominou-se Saco, designação esta, em alusão a forma de um saco, onde tudo começou no local originariamente denominado de Pernambuquinho, por seu fundador. Muito depois, foi mudando para Itajá (julho 1956), em razão de suas terras estarem assentados em terrenos pedregosos e escarpados, na sua maioria, diferentemente de uma pequena área encravada no úmido do Vale do Açu,formando um verdadeiro contraste entre a Pedra e a Várzea. A origem do nome Itajá vem do tupi-guarani, que quer dizer terreno de pedras. Itá=pedra+aja= terreno. Ressalte-se, por oportuno, que antes da toponímia Itajá,foram feitas várias tentativas para mudar o nome de Saco, devido a corruptela “sacana”,usada no sentido pejorativo, como gentílico.  A primeira tentativa foi com pernambuquinho, secundada por Igarçu, que se restingiu, tão-somente, ao bairro do mesmo nome.Essas tentativas feitas pelo seu fundador, não prosperaram por razões desconhecidas. A toponímia Itajá, figura das ruas do conjunto residencial Lagoa Nova I. Natal, em homenagem a esta município que vem em permanente crescimento na microrregião do Vale do Açu e, por extensão, no Rio Grande do Norte. Atualmente, a família original que foi o começo da “ árvore genealógica” formada por Lopes Viégas e Chimbinha, se acha ramificada com outras famílias representadas pelos Ferreira, Amorim,Freire,Pessoa,Guimarães que , aos poucos , vem se ramificando entre si. Dentre as famillias citadas, o galho mais representativo da “árvore genealógica” dos Lopes Viégas do Itajá, é formado pelo casal Manoel Medeiros Lopes e Maria Isaura Lopes(pais a autor), que teve 13 filhos, 93 netos , 137 bisneto e 42 trinetos, além de ter criado outros dois filhos (dados de 2010).

ORIGEM DO NOME DE ITAJÁ  

A mudança do topônimo de Saco para Itajá, se deu em meadas de julho de 19565,em reunião destinada para tal fim. Dela, participaram o político Manoel de Melo Montenegro, conhecido por Major Montenegro (idealizador da mudança), o então prefeito de ipanguaçu,Nelson Montenegro (seu filho), Manoel Argemiro, João Pessoa, José de Deus, Pedro Lino, entre outros. Ali presente aquela reunião de cunho político , se encontrava o jovem estudante José Evangelista Lopes ( autor de Itajá dos Lopes I e II). Naquela reunião, o Major Montenegro colocou para apreciação e votação,os topônimos Itaçu e Itajá. Em sua explanação, o Major Montenegro  salientou que os dois nomes eram bonitos e condizentes com o própria geografia do então Saco: o primeiro, significa ‘Pedra grande e, o segundo, “terreno de pedras”.  Todos ,ali foram ouvidos,mais não quiseram se pronunciar sobre a escolha ,deixando por conta do Major Montenegro, a responsabilidade pela mudança do nome .Nesse ínterim, o Major Montenegro percebendo a minha curiosa presença naquela reunião, sentenciou: “ já que vocês se omitem quando a escolha do novo nome Saco, este jovem estudante pode dar sua opinião, por Itaçu ou por Itajá”. De pronto, eu apenas optei por Itajá , por entender ser mais conveniente, dada a corruptela Itaçu ficar a entonação aproximada de Assu, Ipanguaçu (ex-sacramento), Japiaçu e, ate mesmo, de igaraçu hoje um promissor bairro do Itajá. Após a aprovação por todos ali presentes, João Pessoa levantou-se e , em tom de brincadeiraq,completou “ pelo menos, ninguém mais, vai chamar o nosso povo de “sacana”. Esta gentílico era comumente usado como chacota pelo povo do Vale do Açu. Por oportunidade, vale destacar o desenho do mapa do Rio Grande do Norte que eu fiz na parede lateral da antiga Sede Social( hoje,imóvel de propriedade de casal José Leão/Raimunda Maria). Ali, a pedido de José de Deus Barbosa(pai),localizei naquele mapa, o novo nome de Itajá, a fim de dar ênfase à referida mudança de caráter geopolítico.

MUTIRÃO -UM NOME PERMANENTE 

Tudo começou no ano de 1903, quando alguns moradores do antigo Saco, hoje Itajá,reuniram-se e construíram um açude. Eram os Lopes Viégas e os Chimbinha.nascia , assim, o primeiro mutirão do Itajá. Mais tarde,essas duas famílias ,movidas pelo sentimento de religiosidade,sentiram a necessidade de construir um lugar para suas orações. Novamente , um mutirão, nos idos de 1918, levado a efeito por seus filhos, resultou na edificação de uma capela. Em 1946, as duas famílias se mobilizaram e construíram o seu cemitério para o repouso eterno de seus entes queridos. Em 1958, foi instalado em Itajá, um posto dos correios e telégrafos –ECT,através do seu benfeitor José de Deus Barbosa ( pai). A comunidade do Itajá começa a sentir a urgência de um espaço para abrigar a diversão  e a alegria. Em 1959, foi construído o primeiro Centro Social, como resposta imediata, através do seu edificador José de Deus Barbosa(pai). Esta ,sentindo a necessidade de criar uma feirinha para a comunidade,construiu com recursos próprios , um mercado que se encontra até os dias de hoje. A copa de 1982 despertou na juventude itajaense, o desejo de ter sua praça de esportes. Mais uma vez , a sociedade foi convocada em forma de mutirão,tendo como resultado,a construção do Estádio Manoel Argemiro Lopes(Argemirão), em homenagem ao maior desportista de todos os tempos, no Vale do Açu. Há de se ressaltar, por oportuno, que o processo de melhoramento dessa praça de esportes, continua em forma de mutirão. A bola da vez,veio através de José Ivanaldo de Souza (ex-atleta de futebol conhecido por Souza), secundado por Vargas Soliz Pessoa e por José Nilton Figueiredo que, na qualidade de amantes da pratica do futebol, deram as suas notórias contribuições,entre outros. Alem da solidariedade permanente, Itajá percebeu o caráter institucional de suas decisões, quando em 1968. 20 propriedades associaram-se à cooperativa de eletrificação Rural do Vale do Açu. A partir daí, tudo se transformou. Pequenas irrigações e cerâmicas deram um novo ritmo na vida do povo simples do Itajá. Depois veio o posto telefônico,1982 para colocar o Itajá em comunicação com o pais e o mundo, como resultado de um novo estilo de vida. O centro de Saúde foi construído pelo seu povo. A Secretária de Saúde do Estado do Rio Grande do Norte(Governo de Lavoisier Maia),acompanhando o esforço participativo da comunidade,se comprometeu com a implantação de um plano de medicina preventiva, com a fixação de um médico residente em Itajá. Deve-se á Secretaria de Transporte e Obras  públicas, através do projeto Vilarejo (Governo de José Agripino Maia), a chegada da água em Itajá. É muito curioso, como tudo foi feito em mutirão, desde a captação de recursos (BNH-SUDENE- Governo do Estado do Rio Grande do Norte),até a escavação das valas feitas pelo seu povo, com  as ferramentas do programa de Emergência. Por sua vez, em 1984, a CAERN se misturou como suor e solidariedade desta comunidade, que vem crescendo a passos largos na busca de uma posição de destaque no Rio Grande do Norte. Finalmente, os netos, bisnetos, trinetos e tetranetos do alferes Guilherme Lopes Viégas, herdam o espírito gerado de mutirões, quando o interesse maior for sempre o itajá.

ITAJÁ E SEU POVO

Alguém plantou a semente do saber do Itajá. Seu precursor foi o padre Luiz Guimarães que, suspenso das ordens do Vaticano, fez, por algum tempo, sua moradia desta terra. Nos idos de 1940, guiados pela flâmula do saber, davam continuidade ao trabalho de educador pelo padre Luis Guimarães, Estevão Egídio Pessoa, Cecilia Cândido da Silva, Maria Antonieta da Silva, entre outros. A partir de 1955, despontava como grande educadora, a inesquecível professor Libânia Lopes Pessoa, que foi a responsável maior pela conduta da juventude itajaense, da época a criar o gosto pelas letras e, por que não dizer, de chegar ao lugar de destaque no seio da sociedade de todo o Vale do Açu. Nesse campo, merece menção, Francisca Lopes Pessoa, conhecida por Chiquinha Pessoa, professora, poetisa e compositora (autora do hino de São Vicente Férrer e do hino de Itajá) que, de maneira notória, tem contribuído muito para o engrandecimento da educação da nossa terra. Os jovens de hoje, serão o futuro de uma gente do amanhã. Cônscios dos seus deveres e obrigações para com o Itajá, esse jovens são conduzidos pelo idealismo e o exemplo de trabalho – legados maiores deixados pelas raízes mais antigas e, também, por aqueles que ainda vivem dando exemplos de civismo, levando o nome de itajá além de suas fronteiras. Pelo caráter do valoroso homem sertanejo, podemos citar a fibra dos seguintes filhos itajaenses, já falecidos: João Guilherme Lopes (Joca Guilherme), Francisca Viégas Chimbinha, João tertulino Lopes, Manoel Egidio Pessoa, Luis Antonio Lopes (Tio Lula), João Nepomuceno Lopes (João Grande), João Manoel Pessoa (vereador e vice-prefeito de Ipanguaçu), antes do Itajá emancipado, Francisco Florêncio Lopes (músico-sanfoneiro), João Firmo Chimbinha, João Etelvino Lopes, João Medeiros Lopes (vereador de Ipanguaçu, antes do Itajá emancipado), Manoel Medeiros Lopes (pai do autor), João Evangelista Lopes (Tojoca), Pedro Lino Lopes (vereador e vice prefeito de ipanguaçu antes do Itajá emancipado), Manoel Argemiro Lopes (vereador e vice prefeito de Ipanguaçu, antes do Itajá emancipado), Manoel Eugênio Ferreira (vereador de ipanguaçu antes do Itajá emancipado), João Benedito Mendes de Deus Barboza (vereador e vice prefeito de ipanguaçu antes do Itajá emancipado), Francisco Santiago Lopes (Titico Etelvino), Geraldo Lopes (músico-sanfoneiro), Manoel Egidio Pessoa (Seu Né Pessoa), Vicente Carlos Chimbinho, Francisco Euzébio de Figueiredo, Manoel Lopes Filho (Biel), vereador do Itajá quando de sua emancipação, vindo a falecer sem concluir seu mandato. Para concluir o seu mandato, foi convocado o primeiro suplente da coligação PSDB/PMDB—João Firmo Lopes (Juquinha), para cumprir o mandato restante. Dando continuidade a essa geração passada, no mesmo ideal de bem servir a sua terra natal, em razão de viver o presente, merecem louvor os seguintes filhos de Itajá: João Eudes Ferreira (administrador de empresas e precursor de pólos cerâmicos de Itajá), Hélio Santiago Lopes (primeiro filho a ser prefeito de Ipanguaçu antes do Itajá emancipado), Cassimiro Pessoa (professor e forte impulsor do pólo cerâmico de Itajá, junto com João Eudes Ferreira) Gilberto Eliomar Lopes (vereador de Ipanguaçu e, com a emacipação política de Itajá, foi o seu primeiro prefeito constitucional, e cumprindo o seu 3° mandato) José de Deus Barbosa Filho (grande empreendedor economista e prefeito de Ipanguaçu em três mandatos), João da Mata Lopes (vereador de Ipanguaçu antes de Itajá emancipado), Edmilson Pessoa Lopes (Engenheiro Agrônomo) José Nilton Figueiredo (Engenheiro Civil), José Leão Chimbinha (professor e historiador), Fernando Laurindo Lopes (contador), José Wilson Barbosa (engenheiro agrônomo), Francisco Antonio Lopes Neto (Engenheiro Agrônomo), Josimar Lopes (empresário), Inacio Jacinto Rancheira da Silva (Gestor Ambiental), e finalmente, José Evangelista Lopes (advogado, escritor, poeta, compositor e por adoção geógrafo), autor dos livros Sertão Raizes, Itajá dos Lopes I e II, que tem, como Pátria primeira o Itajá. Aliados a esses filhos de Itajá, podemos destacar aqueles que escolheram esta terra como seu rincão. Entre outros, é notória a participação ativa nesse desenvolvimento: os irmãos Luis Carlos Guimarães (Preguinho), Lícelio Jackson Guimarães e Lutercio Jackson Guimarães (ex-prefeito). Merece menção também, Francisco Ivanildo Ferreira (Putu), Lourenço Soares Dantas, Max Blénio Medeiros e Francisco Diassis (Tiquinho), entre outros.

Fonte: Livro Itajá dos Lopes – 2ª Edição Autor: Evangelista Lopes)